A ansiedade na visão do Ayurveda

Diferentemente da visão ocidental, que tende a considerar a ansiedade como um estado normal e passageiro, na Medicina Ayurveda ele é considerado um sintoma bem claro de que algo não vai bem há algum tempo e já é visto como uma das prematuras fases do processo de adoecimento. Com o tempo, o transtorno, que afeta o sistema nervoso, pode levar à outras complicações na saúde tanto mental-emocional quanto física.

Dentro desta abordagem, a ansiedade é uma desordem originada pela agravação de Vata, o princípio do movimento que é formado pela combinação do espaço com o elemento ar e que governa todo movimento biológico como a inalação, a exalação,  a ingestão, a expulsão, a absorção, a assimilação, a eliminação e, principalmente, a circulação. Ele governa também toda expressão dos pensamentos, sentimentos e toda extensão das emoções. É responsável pelo tantra (os mecanismos do corpo) e pelo yantra (a completa engenharia do corpo). Suas qualidades primárias são seco, leve, frio, sutil, móvel, áspero e claro. Sua sede principal está na pélvis, no intestino grosso e nos ossos mas também possui grande afinidade com os ouvidos, nariz e pulmão.

A Terapia Floral e a Medicina Ayurveda

Lótus Azul, do sistema Florais de Saint Germain
O uso das essências de flores pelas civilizações como instrumento de cura data milênios. Até hoje descendentes da população aborígine da Austrália mantém a tradição de coletar pela manhã o orvalho que fica sobre as flores para empregar como agente promotor de bem-estar emocional. Há também registros do uso das essências florais no Egito Antigo, na Ásia e na America do Sul.

No século XV o médico, físico e alquimista suíço Paracelsus descreveu como era recolhido o orvalho das plantas em flor para tratar desequilíbrios de saúde - método este que foi redescoberto da década de 30, na Inglaterra, por Dr. Edward Bach, o sistematizador do sistema Florais de Bach.

Na Índia pesquisas encontraram textos datados do século III a.C. em que eram detalhados o uso de mais de 18 mil tipos de flores e já no século IX aparece um dos primeiros tratados a mencionar detalhes de como usar flores no tratamento de doenças específicas, o chamado Kalyana Karakam. Interessante é notar que este tratado afirma que os textos ayurvedistas prescrevem prioritariamente o uso de medicamentos à base de plantas, mesmo que em alguns tratados - como o famoso Charaka, de Medicina Interna - sejam descritas algumas fórmulas à base de carne animal.

O Yoga Tântrico e o Yoga para Mulheres

Nos últimos anos pesquisas arqueólogicas, antropológicas  e sociológicas colaboraram para o surgimento de uma nova perspectiva sobre a história e a prática do Yoga no Oriente que nos revela um universo muito mais amplo do que o que foi difundido no Ocidente durante o século XX.

Dentro deste contexto, o mais interessante é observar o papel do Sagrado Feminino na época do auge do movimento tântrico medieval na India ocorrido entre os séculos IV e IX no qual as principais praticantes e iniciadoras nas técnicas iogues eram mulheres e muito certamente devido às suas capacidades inatas de canalizar luz e gerar grande quantidade de energia - tecnologias  necessárias para a geração e gestação de novas vidas.

O que ocorreu é que logo após o século XI as técnicas tântricas matrifocais foram adaptadas e sintetizadas para formar um sistema voltado para trabalhar o organismo masculino, uma vez que a prática feminina era bastante específica devido as diferenciadas características energéticas da mulher. Assim surgiu então o Hatha Yoga (Ha=Sol; Tha=Lua), sistema voltado especificamente para permitir que homens desenvolvam seu próprio trabalho energético.