Cosmologia Ayurveda, Tantra e Samadhi

O Ayurveda, literalmente traduzido como a ciência da vida, é um sistema de mais de cinco mil anos originado no subcontinente indiano que une medicina holística, filosofia e espiritualidade. A sabedoria desta remota tradição de cura oferece um compreensível entendimento do corpo, da mente e da alma, além de nos ensinar como viver em harmonia com a gente mesmo, com os outros e com o meio-ambiente. O profundo entendimento de viver cada momento integralmente experienciando o doce néctar que a vida oferece constitui a mais nobre jóia deste sistema. 

Tendo o Samkhya - uma das seis grandes escolas filosóficas indianas - como a base para o seu conceito de corpo, este sistema descreve o processo de criação e a jornada da Consciência à medida que ela evolui em direção à matéria. Segundo esta abordagem, antes da criação não há luz ou escuridão, forma ou nome, há apenas um expansivo estado de pura existência chamado Avyakta (o imanifesto). E do imanifesto emergem Purusha (pura consciência ilimitada, o princípio masculino) e Prakruti (o infinito potencial criativo, a Mãe Divina), ambos eternos, imensuráveis e divinos.

Antes da criação do Universo Purusha e Prakruti estão fundidos na totalidade, mas este perfeito equilíbrio é perturbado: Prakruti começa a vibrar e dentro do cerne desta pulsação está um intenso desejo cósmico: "Eu sou um, Eu quero ser muitos", e assim Prakruti se torna o útero de toda criação, o que produz o nascimento de uma bela criança, o Universo. Neste processo, a primeira expressão de Prakruti é Mahad, a inteligência cósmica suprema, que é consciente da consciência e permeia cada aspecto da criação. Mahad se manifesta em Ahamkara (o Eu-forma, o ego), o que dá identidade a todas as coisas, inclusive no nível celular, provendo forma e distinção a cada uma das células.  

Desta forma, Ahamkara está envolvido no processo de consciência da individualização, quando o observador se vê separado do observado. Em sua autopercepção de separatividade o ego tende a ter ponto de vista e a julgar, avaliando cada experiência como boa ou ruim, satisfatória ou insatisfatória, agradável ou dolorosa. Nos momentos em que o observador se funde com o observado o julgamento se dissolve, pois há apenas a consciência da consciência, há o Samadhi - o estado Uno com o Universo, o êxtase experienciado quando a consciência transcende a separatividade e retorna à Totalidade do Ser, a fusão Purusha-Prakruti, o Sagrado Masculino integrado ao Sagrado Feminino. 


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